.../...

fico suspenso na expectativa

de um pensamento que rasgue o tempo

e me traduza o sonho das árvores



domingo, 24 de julho de 2011

... TALVEZ

... talvez o mar me acolha o cansaço
no seu leito de espuma e esquecimento
e o transporte docemente no regaço
eternizando a melodia de um momento ...

... talvez as ondas se inclinem num lamento
abafado pelas ilhas de sargaço,
arrastado nas pegadas deste vento
como amantes no silêncio de um abraço ...

... talvez o infinito se abrigue neste espaço
onda voga livremente o pensamento
inflamado pela sugestão de um traço
onde jorra em profusão o sentimento ...


JCE 07/2011

LÁGRIMA

Nunca soube
quantos sonhos partiram
quantos desejos sucumbiram
quantos dias hesitaram
quantos momentos se esfumaram
na indefinição de uma lágrima


JCE 07/2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

REFLEXO IMPERFEITO

Prendeste o teu olhar em mim ...

Viste nos meus olhos o mistério dos silêncios
mas neles não vislumbraste o oceano adormecido
nem os rios que o beijam em devoção

Não percebeste o cintilar da minha noite
nem a vontade que desponta na alvorada
apenas viste as nuvens que percorrem os meus dias
e que projectam sombras
nos sorrisos que se atrevem

Olhaste-me
sem veres as ilhas que abraçam o meu mar
nem as falésias que lhe acalmam o furor

Guardaste em ti
um reflexo imperfeito ...


JCE 07/2011

sábado, 16 de julho de 2011

O INFINITO NA PALAVRA

Um clarear da mente em movimento
um despertar da inquietude num momento
uma vontade que invade o pensamento ...

A palavra voga indolente nas raias da imaginação,
faz-se rio no caudal da oratória,
simples gota no orvalho da memória,
grito errante nas veredas da saudade

Libertada nas torrentes da expressão
pinta os céus com as cores das sensações,
cria mundos sem limites nem prisões,
pára o tempo em imagens sem idade

Na palavra que o poeta torna mito
há um todo que abarca o infinito ...


JCE 07/2011

ARENA

No som triste de um violino insinua-se o entardecer
transportado nas paisagens de um passado
como augúrio de horas tumultuosas,
antecipação de arenas gotejantes
de lágrimas, suor e sangue

Multidões inflamadas
despejam no ar a rouquidão do aplauso
numa ode a quem se ergue
dos destroços e do pó
sofregamente bebendo o ar que temeram não mais sentir

Na exaustão da glória conquistada
preces são entregues a deuses indiferentes,
oferendas silenciosas e devotas pela graça concedida
de uma vida prolongada até à próxima incursão
nas areias da arena ...


JCE 07/2011

ARAGEM DE SUSPIROS

Embrulho-me na noite cálida com o desejo por cicerone
arrastado numa aragem de suspiros,
numa dança de diáfanas roupagens

Entrelaçado nos sentidos que em ti viajam
acolho os aromas de framboesas e amoras selvagens
mesclados no arfar do teu peito em sedução

Devaneios de dedos fascinados pelo toque
de uma seda feita pele
sublime fantasia de paixão
intrincada em promessa de beijos sussurrados
e suspiros murmurados


JCE 06/2011

domingo, 26 de junho de 2011

TARDE NO RIO

A tarde escorrega no rio bonançoso
o olhar espraia-se e o pensamento adormece ...

Transportado numa ideia de correntes invisíveis
deslizo na certeza de uma foz que me seduz
na procura do aconchego desse abraço
que só nasce nas ondas do oceano em paz

O mar reflecte imagens de doçura
espelhadas nos teus olhos cintilantes
e as gotas do meu ser
abandonam-se ao teu querer ...


JCE 06/2011

CANTO DA SEREIA

Escutei o embalo do vento.
Trouxe-me a brandura dos céus limpos
e a paixão das palavras perdidas
entrecortadas nos ecos da luz

Serenei ao som da tua voz,
melodia que se entranha no sentir,
vagalume de noites irreais,
ave vagabunda que se perde no meu peito

Sereia imaginada em campos de algas ondulantes,
flor marinha enlevada pelas marés,
no teu regaço adormeço a escuridão
e liberto os sonhos
que se aninham no teu canto


JCE 06/2011

NAS TUAS MÃOS

Por entre as minhas mãos escoa-se o tempo
no adormecer dos dias,
embalado em ritmos ilusórios
de pertença indelével

As gotas da chuva lavam o peso das horas
em golfadas cinzentas,
sem alívio, sem auroras ...

No silêncio das tuas mãos
mergulha a frescura dos bosques,
apaziguadora e calmante,
como o som de um suspiro ...

Nas tuas mãos deposito o meu cansaço,
nas carícias de um afago,
na certeza de ser teu


JCE 06/2011

sábado, 18 de junho de 2011

DANÇA DAS ALMAS

As minhas palavras esgotam-se
na vertigem luminosa das tuas
como paredes esboroadas pelo tempo,
ruínas esquecidas em dunas perdidas ...

Nelas repouso os caminhos sulcados
e as vagas de anseios esculpidos
em sabores de arco-íris fugazes

Ouço os apelos das praias desertas
e dos prados nascidos
nos contrafortes rugosos das serras

Aí, as almas dançam
ao som dos sentidos despertos ...


JCE 06/2011