quarta-feira, 10 de agosto de 2011
TEMPESTADE NA SERRA
“.../... E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”
(Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar')
Cai o crepúsculo tempestuoso
na alma da serra
Ramagens fustigadas pelo vento dobram-se
em reverência
perante o poder da tormenta,
vontade insana sem emoção ...
Nuvens informes
correm selvaticamente velozes, projectando
sombras indecisas nos caminhos de terra
que sulcam as veredas da floresta
encolhida
Relutante,
a tempestade afasta-se
deixando a natureza exaurida
no sortilégio da renovação transportada nas águas
que se abateram no solo
Um suave véu de neblina instala-se
na ausência do vento
mordiscando os sentidos que se rendem
ao entorpecimento
das árvores exaustas
O verde da floresta mescla-se no cinzento da bruma,
perde-se em sombras
deslizantes na percepção embotada
Locais familiares
dão lugar ao incógnito
numa transmutação ilusória
forrada pelo manto húmido de ar denso
criando novas paisagens
na imaginação
Apenas a luz conseguirá conquistar
as imagens familiares
que adornam a alma da serra
pacificada
A serra adormece
ansiando a chegada da manhã
JCE 08/2011
domingo, 31 de julho de 2011
MOMENTOS INVENTADOS
Ondulante, na distância,
a praia estende-se num lençol de areia branca
Vejo-a
na languidez da margem oposta da foz
Dela emana um chamamento
uma voz que se perde
no esquecimento fatigado do tempo
As tuas pegadas
gravadas na voz de dias ausentes
marcaram os fios entretecidos de uma ilusão
que foi luta perdida
Hoje
a imagem difusa de um querer proclamado
visitou-me as palavras
como fantasma liberto nas planuras do silêncio
Recordações de momentos inventados
fugazmente revisitados
e largados ...
no abandono da inutilidade
JCE 07/2011
a praia estende-se num lençol de areia branca
Vejo-a
na languidez da margem oposta da foz
Dela emana um chamamento
uma voz que se perde
no esquecimento fatigado do tempo
As tuas pegadas
gravadas na voz de dias ausentes
marcaram os fios entretecidos de uma ilusão
que foi luta perdida
Hoje
a imagem difusa de um querer proclamado
visitou-me as palavras
como fantasma liberto nas planuras do silêncio
Recordações de momentos inventados
fugazmente revisitados
e largados ...
no abandono da inutilidade
JCE 07/2011
domingo, 24 de julho de 2011
... TALVEZ
... talvez o mar me acolha o cansaço
no seu leito de espuma e esquecimento
e o transporte docemente no regaço
eternizando a melodia de um momento ...
... talvez as ondas se inclinem num lamento
abafado pelas ilhas de sargaço,
arrastado nas pegadas deste vento
como amantes no silêncio de um abraço ...
... talvez o infinito se abrigue neste espaço
onda voga livremente o pensamento
inflamado pela sugestão de um traço
onde jorra em profusão o sentimento ...
JCE 07/2011
no seu leito de espuma e esquecimento
e o transporte docemente no regaço
eternizando a melodia de um momento ...
... talvez as ondas se inclinem num lamento
abafado pelas ilhas de sargaço,
arrastado nas pegadas deste vento
como amantes no silêncio de um abraço ...
... talvez o infinito se abrigue neste espaço
onda voga livremente o pensamento
inflamado pela sugestão de um traço
onde jorra em profusão o sentimento ...
JCE 07/2011
LÁGRIMA
Nunca soube
quantos sonhos partiram
quantos desejos sucumbiram
quantos dias hesitaram
quantos momentos se esfumaram
na indefinição de uma lágrima
JCE 07/2011
quantos sonhos partiram
quantos desejos sucumbiram
quantos dias hesitaram
quantos momentos se esfumaram
na indefinição de uma lágrima
JCE 07/2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
REFLEXO IMPERFEITO
Prendeste o teu olhar em mim ...
Viste nos meus olhos o mistério dos silêncios
mas neles não vislumbraste o oceano adormecido
nem os rios que o beijam em devoção
Não percebeste o cintilar da minha noite
nem a vontade que desponta na alvorada
apenas viste as nuvens que percorrem os meus dias
e que projectam sombras
nos sorrisos que se atrevem
Olhaste-me
sem veres as ilhas que abraçam o meu mar
nem as falésias que lhe acalmam o furor
Guardaste em ti
um reflexo imperfeito ...
JCE 07/2011
Viste nos meus olhos o mistério dos silêncios
mas neles não vislumbraste o oceano adormecido
nem os rios que o beijam em devoção
Não percebeste o cintilar da minha noite
nem a vontade que desponta na alvorada
apenas viste as nuvens que percorrem os meus dias
e que projectam sombras
nos sorrisos que se atrevem
Olhaste-me
sem veres as ilhas que abraçam o meu mar
nem as falésias que lhe acalmam o furor
Guardaste em ti
um reflexo imperfeito ...
JCE 07/2011
sábado, 16 de julho de 2011
O INFINITO NA PALAVRA
Um clarear da mente em movimento
um despertar da inquietude num momento
uma vontade que invade o pensamento ...
A palavra voga indolente nas raias da imaginação,
faz-se rio no caudal da oratória,
simples gota no orvalho da memória,
grito errante nas veredas da saudade
Libertada nas torrentes da expressão
pinta os céus com as cores das sensações,
cria mundos sem limites nem prisões,
pára o tempo em imagens sem idade
Na palavra que o poeta torna mito
há um todo que abarca o infinito ...
JCE 07/2011
um despertar da inquietude num momento
uma vontade que invade o pensamento ...
A palavra voga indolente nas raias da imaginação,
faz-se rio no caudal da oratória,
simples gota no orvalho da memória,
grito errante nas veredas da saudade
Libertada nas torrentes da expressão
pinta os céus com as cores das sensações,
cria mundos sem limites nem prisões,
pára o tempo em imagens sem idade
Na palavra que o poeta torna mito
há um todo que abarca o infinito ...
JCE 07/2011
ARENA
No som triste de um violino insinua-se o entardecer
transportado nas paisagens de um passado
como augúrio de horas tumultuosas,
antecipação de arenas gotejantes
de lágrimas, suor e sangue
Multidões inflamadas
despejam no ar a rouquidão do aplauso
numa ode a quem se ergue
dos destroços e do pó
sofregamente bebendo o ar que temeram não mais sentir
Na exaustão da glória conquistada
preces são entregues a deuses indiferentes,
oferendas silenciosas e devotas pela graça concedida
de uma vida prolongada até à próxima incursão
nas areias da arena ...
JCE 07/2011
transportado nas paisagens de um passado
como augúrio de horas tumultuosas,
antecipação de arenas gotejantes
de lágrimas, suor e sangue
Multidões inflamadas
despejam no ar a rouquidão do aplauso
numa ode a quem se ergue
dos destroços e do pó
sofregamente bebendo o ar que temeram não mais sentir
Na exaustão da glória conquistada
preces são entregues a deuses indiferentes,
oferendas silenciosas e devotas pela graça concedida
de uma vida prolongada até à próxima incursão
nas areias da arena ...
JCE 07/2011
ARAGEM DE SUSPIROS
Embrulho-me na noite cálida com o desejo por cicerone
arrastado numa aragem de suspiros,
numa dança de diáfanas roupagens
Entrelaçado nos sentidos que em ti viajam
acolho os aromas de framboesas e amoras selvagens
mesclados no arfar do teu peito em sedução
Devaneios de dedos fascinados pelo toque
de uma seda feita pele
sublime fantasia de paixão
intrincada em promessa de beijos sussurrados
e suspiros murmurados
JCE 06/2011
arrastado numa aragem de suspiros,
numa dança de diáfanas roupagens
Entrelaçado nos sentidos que em ti viajam
acolho os aromas de framboesas e amoras selvagens
mesclados no arfar do teu peito em sedução
Devaneios de dedos fascinados pelo toque
de uma seda feita pele
sublime fantasia de paixão
intrincada em promessa de beijos sussurrados
e suspiros murmurados
JCE 06/2011
domingo, 26 de junho de 2011
TARDE NO RIO
A tarde escorrega no rio bonançoso
o olhar espraia-se e o pensamento adormece ...
Transportado numa ideia de correntes invisíveis
deslizo na certeza de uma foz que me seduz
na procura do aconchego desse abraço
que só nasce nas ondas do oceano em paz
O mar reflecte imagens de doçura
espelhadas nos teus olhos cintilantes
e as gotas do meu ser
abandonam-se ao teu querer ...
JCE 06/2011
o olhar espraia-se e o pensamento adormece ...
Transportado numa ideia de correntes invisíveis
deslizo na certeza de uma foz que me seduz
na procura do aconchego desse abraço
que só nasce nas ondas do oceano em paz
O mar reflecte imagens de doçura
espelhadas nos teus olhos cintilantes
e as gotas do meu ser
abandonam-se ao teu querer ...
JCE 06/2011
CANTO DA SEREIA
Escutei o embalo do vento.
Trouxe-me a brandura dos céus limpos
e a paixão das palavras perdidas
entrecortadas nos ecos da luz
Serenei ao som da tua voz,
melodia que se entranha no sentir,
vagalume de noites irreais,
ave vagabunda que se perde no meu peito
Sereia imaginada em campos de algas ondulantes,
flor marinha enlevada pelas marés,
no teu regaço adormeço a escuridão
e liberto os sonhos
que se aninham no teu canto
JCE 06/2011
Trouxe-me a brandura dos céus limpos
e a paixão das palavras perdidas
entrecortadas nos ecos da luz
Serenei ao som da tua voz,
melodia que se entranha no sentir,
vagalume de noites irreais,
ave vagabunda que se perde no meu peito
Sereia imaginada em campos de algas ondulantes,
flor marinha enlevada pelas marés,
no teu regaço adormeço a escuridão
e liberto os sonhos
que se aninham no teu canto
JCE 06/2011
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