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fico suspenso na expectativa

de um pensamento que rasgue o tempo

e me traduza o sonho das árvores



quarta-feira, 4 de abril de 2012

NAS MARGENS DO ENTARDECER


Procurei-te...
nas horas que se cruzaram em avanços e recuos
nos silêncios e clamores que povoam os meus dias

O sabor almiscarado da tua pele
povoa-me as memórias do presente
como um momento intemporal
que se alojou
nas planuras da minha alma

O crepúsculo foi inundado pelo aroma dos teus cabelos
esvoaçantes
numa dança ritmada pelo fluxo da maré

Junto a ti
nas margens do entardecer
quero reter o fragor das ondas do mar
perto de mim
perto do sonho
de ti em mim


JCE 04/2012


quarta-feira, 21 de março de 2012

RETORNO

Chego de viagem
empresto-me uma almofada de sabores almiscarados
entranhados nas memórias que regressam
de viagem
partilhada
com o tempo que ausentei

O sofá do desencanto abate-se no meu peso
aspirante de sossegos conquistados
na viagem

Num retorno de encobertas paisagens enlutadas
de rumos encetados sem bússolas
de derivas consentidas, ansiadas
chego como parti
sem certezas
sem alívios
sem palavras

Igual


JCE 03/2012

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ECOS DE ETERNIDADE



Chega a noite...
... aconchego o teu corpo suave
no refúgio dos meus braços...
Afloram-me sensações
quase imperceptíveis
como murmúrios de ecos indecisos
que se espalham ao meu redor

Afagam-me suavemente
mesmerizam-me o olhar
preso
no mistério do teu sorriso

Ah!!
Falha-me a grandiosidade da expressão
que fizesse da tua imagem
estátua de letra e verbo!

Indecisas palavras emergem
nos ecos que se enrolam no meu peito
em ânsias de te amar
eternamente...


JCE 12/2011
 
 
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

“ONE NIGHT STAND”

Cruzamento de olhares,
procura de sinais
que revelem um mesmo querer...
ou algo mais...

Amarfanham-se palavras em indistintos rumores...

Entre golfadas de indecisão
vem a cedência
à vontade incontrolada...
emergentes fervores...

Entregas-te
no esvair de um momento...
(atracções que se agarram e se desgastam
no ritmo do coito...)
um suspiro sem lamento...

No rescaldo do suor reluzente
retoma-se a aparência do desinteresse
e a contemplação
de luzes sem horizonte...


JCE 12/2011


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

FIM DE TARDE


Encobertas
na penumbra que se espalha
despertam as esplanadas
no fim da tarde na cidade

Refúgios de cansaços fumegantes
nos aromas de café
evolando-se na incandescência de cigarros
evadidos em baforadas desprendidas


JCE 12/2011

("La Guinguette" de Vincent Van Gogh)



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

HÁ, DE HAVER

Há pessoas marcantes.
Que nos mostram insuspeitas dimensões dos enganos que acolhemos sem reserva.

Há dores gestacionais.
Onde nascem respostas que cicatrizam erros extenuantes.

Há momentos determinantes.
Onde o futuro se encontra na ruptura com o passado.

Há o tempo.
E a serena aceitação da ordem que sucede ao caos.

E há a vida
renovada a cada dia, no sortilégio das manhãs que me abraçam ...


João Carlos Esteves, 4 de Novembro de 2011

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

SORRISOS NO CREPÚSCULO

Ofegante
bebo os reflexos dos teus sorrisos
frescos como campos de amendoeiras em flôr

Aquietação da alma
embalada na simplicidade do momento
em que te alcanço
e adormeço as luzes
num sereno crepúsculo dos sentidos


JCE 10/2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Caros amigos

No dia 26 de Novembro próximo, pelas 18h30, será lançado o meu segundo livro intitulado ABSOLVIÇÃO.

A apresentação decorrerá no Auditório do Campo Grande, em Lisboa.
Fica desde já o meu convite para estarem presentes.

Abraços poéticos

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O DESÂNIMO DAS PALAVRAS


As palavras permanecem adormecidas
enrugadas pela espera
no silêncio abandonado da prisão do ser

Encostam-se, desanimadas
no regaço dos sentidos
anestesiados
como gotas desorientadas
numa bruma permanente
onde o sol se esqueceu de penetrar

As palavras tombam, enrugadas
como folhas secas, desoladas
pela ausência do sopro refrescante
da inspiração poema


JCE 09/2011



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BALANÇO A UMA VOZ

O que restou
de batalhas travadas
em percursos de afirmação e procura?

Palavras esquecidas
(nas horas vestidas de abandono) ...
Vertigens de sentidos vorazes
(na expectiva da imortalidade) ...
Banquetes de migalhas insípidas
(tragadas com sofreguidão) ...
Vozes indistintas
(esbanjadas em melodias clandestinas) ...

O que restou
da raiva indigesta
nascida nas derrotas camufladas
em vitórias proclamadas?

Um lamento,
pelas vidas gastas em plágios rebuscados ...
Um sabor,
de cores desvanecidas no nevoeiro das ilusões ...
O ritmo incontrolável
da imutabilidade do tempo ...
A certeza dos destinos
imbuídos de incerteza ...

O que restou afinal
dos devaneios da alma?

A inevitabilidade
da prisão do ser
nos recônditos da sua mágoa...


JCE 09/2011