sábado, 24 de agosto de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
NO ALPENDRE
DA ESPERA
Aguardei-te
sentado
no alpendre da cabana
sem
sentir as gotas de chuva que escorriam
pelas
rachas da madeira carcomida pelo tempo
entre
os sons abafados pela chuva
senti
o eco de passos hesitantes
trazidos
até mim num aroma de terra humedecida
a
tua sombra não surgiu na curva molhada do caminho
mas
os teus passos ainda viajavam hesitantes
como
aves indecisas em voar.
.Aguardei-te
sentado
no alpendre da cabana
enquanto
o eco dos teus passos não morreu
na
distância
do
caminho que afinal te ausentou
João
Carlos Esteves, 26/01/2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
NÃO TE VEJO
Não
te vejo.
Apenas
sinto em mim
o
arrepio voraz dos teus cabelos em desalinho
e
o véu da tontura nascida do aroma
que
as tuas mãos tatuam na minha pele.
Não
te vejo.
Apenas
visto em mim
a
sombra difusa do teu corpo em planície
percorrida
ao sabor da brisa que o meu desejo exala
em
ânsias de oceano prometido.
Não
te vejo.
Apenas
guardo em mim
o
luar reflectido no suor do teu ardor
gotejado
em rebeldia nas margens do amanhecer
como
orvalho descoberto nos meus lábios sequiosos.
Não
te vejo.
Apenas
sou lagoa onde cai teu reflexo
adivinhado
nas ondas imparáveis do sentir
que
me percorre sem pudor e me desnuda o corpo em luz
como
manhã ansiosa por ser dia.
João
Carlos Esteves, 18/01/2013
quarta-feira, 25 de abril de 2012
ESTÉTICA DA FRAGILIDADE
Em ti
a vida
ancorada
num arco
invertido
exteriorizado útero
na estética protectora
da fragilidade
JCE 04/2012
ESPERA ENCALHADA
Aguardas
o fim da espera encalhada
no leito da tempestade
e no abraço das areias
sonhas
os oceanos alterosos
do teu desejo
onde desabam todas as águas
sublimadas pelas lágrimas do mundo
JCE 04/2012
O SONO E O SONHO
(com a devida vénia a Ovídio)
1. Hypnos
a noite espalha-se
tecendo escuridão
o espírito absorve-se na luz negra
e apaga-se
2. Morfeu
a caverna esconde o ébano
onde repousas
na sugestão das flores
que não vislumbras
JCE 04/2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
INVENTEI-TE AS MANHÃS
Arrastam-se as horas ao longo do dia,
cansadas da eternidade,
e eu anseio o momento em que a tua silhueta
invade a minha paisagem,
num contraponto inadvertido e inocente...
Saberás tu ao certo o que provocas em mim?
Poderia mostrar-te de quantas maneiras te quero,
desenhando o êxtase das madrugadas
no teu corpo fremente
e recitando os sabores dos teus beijos
na loucura da pele
Poderia dizer-te de quantas maneiras te amo
rebuscando as palavras que os poetas criaram
e adornando as metáforas que a inspiração gerou
Poderia criar tanta forma de amar, que um dia
talvez entendesses
a minha vontade de inventar as manhãs
na suave carícia do teu despertar
JCE 04/2012
NAS MARGENS DO ENTARDECER
Procurei-te...
nas horas que se cruzaram em avanços e recuos
nos silêncios e clamores que povoam os meus dias
O sabor almiscarado da tua pele
povoa-me as memórias do presente
como um momento intemporal
que se alojou
nas planuras da minha alma
O crepúsculo foi inundado pelo aroma dos teus cabelos
esvoaçantes
numa dança ritmada pelo fluxo da maré
Junto a ti
nas margens do entardecer
quero reter o fragor das ondas do mar
perto de mim
perto do sonho
de ti em mim
JCE 04/2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
RETORNO
Chego de viagem
empresto-me uma almofada de sabores almiscarados
entranhados nas memórias que regressam
de viagem
partilhada
com o tempo que ausentei
O sofá do desencanto abate-se no meu peso
aspirante de sossegos conquistados
na viagem
Num retorno de encobertas paisagens enlutadas
de rumos encetados sem bússolas
de derivas consentidas, ansiadas
chego como parti
sem certezas
sem alívios
sem palavras
Igual
JCE 03/2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
ECOS DE ETERNIDADE
Chega a noite...
... aconchego o teu corpo suave
no refúgio dos meus braços...
Afloram-me sensações
quase imperceptíveis
como murmúrios de ecos indecisos
que se espalham ao meu redor
Afagam-me suavemente
mesmerizam-me o olhar
preso
no mistério do teu sorriso
Ah!!
Falha-me a grandiosidade da expressão
que fizesse da tua imagem
estátua de letra e verbo!
Indecisas palavras emergem
nos ecos que se enrolam no meu peito
em ânsias de te amar
eternamente...
JCE 12/2011
quase imperceptíveis
como murmúrios de ecos indecisos
que se espalham ao meu redor
Afagam-me suavemente
mesmerizam-me o olhar
preso
no mistério do teu sorriso
Ah!!
Falha-me a grandiosidade da expressão
que fizesse da tua imagem
estátua de letra e verbo!
Indecisas palavras emergem
nos ecos que se enrolam no meu peito
em ânsias de te amar
eternamente...
JCE 12/2011
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