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fico suspenso na expectativa

de um pensamento que rasgue o tempo

e me traduza o sonho das árvores



domingo, 21 de fevereiro de 2016

ASPIRAÇÃO DE HORIZONTE


tenho nas mãos
a poeira do desassossego.

aspiro a ser horizonte…


João Carlos Esteves
in "Ausência de Margens"
(Edita-Me Editora, 2015)

(Imagem de Armindo Ferreira)


DEMORADAMENTE


em cada madrugada a terra inventa-se
na demanda dos sabores de sal
e aromas de citrinos
que o toque da tua pele revela

nem na pureza do discurso das águas
se transcreve perfeição
como aquela que o teu corpo inspira...

contemplo-te
demoradamente
com uma fome submissa e insaciável
pois não há nada em ti que seja breve


João Carlos Esteves
In “Ausência de Margens”
(Edita-Me Editora, 2015)

(Imagem de Trid Estet)


A CASA DOS VENTOS


somente através dos teus olhos
era possível ver
a luz que saciava a sede de existir,
naquela imagem
nascida de um desejo que era sonho,
de um quase nada que era tudo

e era entre fiapos hesitantes de luz
que se revelava a casa dos ventos,
estuário de nuvens
e ancoradouro de voos imensos


João Carlos Esteves
in "Ausência de Margens" (Edita-Me Editora, 2015)

sábado, 2 de maio de 2015

MARGINÁLIA... "coisas que estão à margem"

Dez autores...
Dez sensibilidades...
Dez formas de sentir e fazer poesia...

MARGINÁLIA...

Lançamento a 30 de Maio de 2015 pelas 15h00
na Fundação José Saramago, em Lisboa

https://youtu.be/udS-jKwT6jg

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Eventuais interessados em adquirir um exemplar autografado do meu livro mais recente, "Inventei-te as Manhãs", poderão efectuar o pedido através do e-mail jcsesteves@yahoo.co.uk ou através de mensagem do facebook: https://www.facebook.com/joaoc.esteves.5

sábado, 26 de janeiro de 2013


NO ALPENDRE DA ESPERA


Aguardei-te
sentado no alpendre da cabana
sem sentir as gotas de chuva que escorriam
pelas rachas da madeira carcomida pelo tempo

entre os sons abafados pela chuva
senti o eco de passos hesitantes
trazidos até mim num aroma de terra humedecida

a tua sombra não surgiu na curva molhada do caminho
mas os teus passos ainda viajavam hesitantes
como aves indecisas em voar.

.Aguardei-te
sentado no alpendre da cabana
enquanto o eco dos teus passos não morreu
na distância
do caminho que afinal te ausentou


João Carlos Esteves, 26/01/2013



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

NÃO TE VEJO



Não te vejo.
Apenas sinto em mim
o arrepio voraz dos teus cabelos em desalinho
e o véu da tontura nascida do aroma
que as tuas mãos tatuam na minha pele.

Não te vejo.
Apenas visto em mim
a sombra difusa do teu corpo em planície
percorrida ao sabor da brisa que o meu desejo exala
em ânsias de oceano prometido.

Não te vejo.
Apenas guardo em mim
o luar reflectido no suor do teu ardor
gotejado em rebeldia nas margens do amanhecer
como orvalho descoberto nos meus lábios sequiosos.

Não te vejo.
Apenas sou lagoa onde cai teu reflexo
adivinhado nas ondas imparáveis do sentir
que me percorre sem pudor e me desnuda o corpo em luz
como manhã ansiosa por ser dia.


João Carlos Esteves, 18/01/2013








quarta-feira, 25 de abril de 2012

ESTÉTICA DA FRAGILIDADE

Em ti
a vida

ancorada
num arco

invertido
exteriorizado útero

na estética protectora
da fragilidade


JCE 04/2012



ESPERA ENCALHADA

Aguardas
o fim da espera encalhada
no leito da tempestade

e no abraço das areias
sonhas
os oceanos alterosos

do teu desejo
onde desabam todas as águas
sublimadas pelas lágrimas do mundo


JCE 04/2012